Leite, alimento valoroso, pode ser causa também de doenças

Editado em 22 de maio de 1970   Nº  88

Os produtores de leites – permanentemente às voltas com tantos problemas ínerentes à sua atividade – muitas vezes se sente incomodados pelas exigências sanitárias que as autoridades impõem em relação ao gado, aos estábulos, a outras instalações, etc. Pode parecer-lhes que se trata de requintes de sofisticação só para enquizilar a vida dos que madrugam no trabalho duro.

Mas esses exigências tem sua razão de ser, pois o leite pode ser causa de longa serie de enfermidades para o homem. Senão vejamos:

Doenças causas por microrganismos e por suas toxinas;

Vírus a riquétsias: enterovírus (inclusive os da poliomielite e os vírus coxsackie), vírus da hepatite-infecciosa, da encefalite, da febre aftosa, outras viroses (dentre as quais a cowpox, a vacinada estomatite vesicular), febre Q.

Infecções e intoxicações bacterianas: carbúnculo, botulismo, brucelose, cólera, infecções pelo Clostridium perfringes, infecções, colibacilares, difteria, leptospirose, listeriose, pasteurelose, febre-de-Haverhill, disenteria bacilar, gastrenterite por intoxicação estafilocócica, infecções estreptocócias, tuberculose, febres parasifóides, febre tifoide e outras salmoneloses.

Doenças causadas por fungos patogênicos.

Infecções (infestações) parasitarias.

Sensibilidade a gentes específicos e não específicos.

Reação a antibióticos.

Alergia ao leite.

Presença de substancias toxicas substancias estranhas, capazes de prejudicar a saúde do consumidor.

Inseticidas.

Agente de conservação e desinfecção.

Núcleos radiativos.

Outros metais pesados.

Toxinas vegetais.

Substancia aromáticas e produtores medicamentosos excretados no leite.

Outros fatores prejudiciais à qualidade do leite

(presença de sangue, alterações consequentes a perturbações digestivas da vaca, mordidas ou picadas de animais venenosos que atingem a vaca, poluição ordinária ou bacteriana anormalmente forte).

Considerando-se todas essas enfermidades que são  transmissíveis ao homem pelo leite, é possível fazer uma classificação quanto às principais fontes de infecção e de contaminação do produto.

O próprio homem, através da poluição do meio, da transmissão aos animais e da contaminação do produto – na ordenha ou em fase posteriores – é a principal fonte da maior parte delas: adenovírus enterovírus, hepatite-infecçiosa, cólera, colibaciloses, difteria, febre tifóite, febre paratifóides, outras salmoneloses, disenteria, bacilar gastrenterite pela enterotoxina, estafilocócica, amebíase, balantidóse, giardíose, enterobíase e teníase.

Os animais leiteiros, por sua vez, podem ser fontes de febre aftosa, febre-Q, carbúnculo, brucelose, colibacilose, leptospirose listeriose febre paratifoides, outras salmonelose(exceto febre tifoide) gastreterite por enterotoxina estafilcócica, infecções estriptocócicas, tuberculose e toxoplasmose.

O meio ambiente constitui fonte principal de carbúnculo, botulismo, infecção por Clostidium perfrigens, enterite não especifica (causada por superabundância de microrganismos mortos ou vivos), febre-de-Haverhill e balantidíase.

Como se observa, há meia dúzia de males cuja fonte tanto pode ser o homem como o animal leiteiro. São a calibacilose, febre paratifoides e outros salmonelose (que não a febre tifoide em que o homem é a fonte), gastrenterites por toxinas estafilocócica, infecções estreptocócicas e tuberculose. Somente a balantidíase pode ter como fonte o homem ou meio. O carbúnculo tem como ponto de partida o animal leiteiro ou  o meio.

Os outros males, por seu turno, como reação de sensibilidade a antibióticos, toxicoses causadas por inseticidas, os originados de toxinas vegetais, núcleos radiativos, outros metais pesados, produtos de conservação e outras substancias estranhas, costumam ser provenientes tanto dos animais leiteiros como do meio ambiente.

Não se assustem, porem, os consumidores de leite: a pasteurização torna o leite totalmente inócuo para a saúde do homem quanto os principais problemas assinalados; as demais medidas higiênicas adotados rotineiramente eliminam os outros riscos.

É por isso que recente decreto do presidente da República proibiu a venda ao consumidor em todo o país de leite que não seja pasteurizado, a não serem caráter excepcional e mediante autorização expressa da autoridade local, naquela regiões em que não exista usina de pasteurização.

Arlette Telles Pereira – Prefeito Municipal

Sugestão E-mail: Jornalocorreio07@gmail.com

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