Quando a Humanidade Contempla a Criança

Editado em 13 de outubro de 1968  Nº 14

Criança, você é esperança, nesta agitação tremenda em que me encontro: guerras, mortes, incertezas. É esperança porque está constituído o homem de amanhã; porque é simples, aberto, não foi atingida ainda pelos preconceitos, vive o presente; sobre você não pesa a mediocridade e o egoísmo do mundo do adulto.

Sei, porém, criança, que está sofrendo as consequências da situação em que me encontro: – aqui a vejo faminta, até chorando de dor porque estilhaço de guerra feriram seu corpo frágil; mais adiante a vejo sozinha, abandonada por aqueles que deram a vida… Isso tudo lhe faz mal porque você é sugestionável e ficará triste se estiver num quadro triste, e dá de volta sorrisos se os receber. Também é crédula, por isso não zombo de você… criança, você é uma imitadora mais ou menos consciente do adulto… mas, que posso fazer se os homens grandes não se lembram da influencia que exercem sobre você, os seus bons ou maus exemplos?

Criança… quando entro dentro de mim mesmo e procuro a causa das lutas inquietações e agitações que há entre os homens grandes, encontro aquilo mesmo que é morte para você… a falta de amor.  Criança… o amor, o carinho a ternura, a segurança são a sua vida e atividade. Será que os adultos esqueceram disso? Pois, a vejo nos orfanatos, nas creches, nos homens… e você é uma grande multidão… O que está acontecendo com os homens grandes?

J.P.

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