Cabo Demonstra Absoluta Calma

Editado em 06 de julho de 1969

Sexta Feira, dia 20 passado, a cadeia pública des¬ta, cidade, esteve completamente tumultuada em vir¬tude do procedimento desastroso do sentenciado “Lin¬güiça”, que após depredar as janelas de madeira, (por fora as grades) de sua própria cela, armou-se com uma das travessas da mesma, passando consequen¬temente, a desacatar a tudo e a todos.
Em seguida, conseguiu amontoar algumas folhas de jornais, que lá se encontravam e mais a sua ca¬misa, ateando-lhes fogo. Vestido apenas de calção, tinha, portanto, toda a liberdade de movimentos pa¬ra impingir uma total depredação nos utensílios lá encontrados, e talvez em sua própria cama; fato este, que obrigou o Delegado Mauro Nogueira, a determi¬nar sua remoção para a cadeia de Pouso Alegre.


Porém, quando se tratou de abrir a grade para dominá-lo, verificou-se que o detento havia inserido um prego na fechadura da porta, dificultando dessa forma os trabalhos planejados.
Contudo, os soldados arrombaram-na e aguarda¬ram o momento propício para agarrá-lo.
Durante a expectativa o cabo Otávio Alves Silvério, que naquele dia comandava o Destacamento Policial, conseguiu controlar alguns de seus subal¬ternos mais irritados, e após suas enérgicas recomen¬dações, todos passaram a agir com serenidade e aten¬ção.
Em dado momento, o presidiário, já então mais calmo, mas ainda armado de uma gilete e da referi¬da travessa, resolveu vestir a calça. Para isso atirou a tranca ao chão (alguns afirmam que ele a entregou ao promotor de Justiça, que se encontrava presente) e em seguida começou a vestir-se. Introduzido uma das pernas da calça, e quando já introduzira a meta¬de da outra; então repentinamente, a porta foi aberta e o cabo demonstrando absoluto controle e coragem penetrou na cela e atracou-se corporalmente com o detento, para em seguida dominá-lo, fato que se con¬sumou, definitivamente, com auxilio de mais dois soldados, que posteriormente socorreram-no.
Lingüiça foi removido, retornando no entanto por motivo de não haver «vaga* na cadeia de Pouso Alegre.
Aos soldados e de forma especial ao cabo Otá¬vio Alves Silvério, os parabéns deste Jornal.

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