O Rio Sapucaí

Conta-se “que o capitão João Antônio Dias foi o construtor de nossa primeira ponte, feita somente de madeira e localizada onde atualmente existe a de cimento armado, e que muito serviu para baldear pedras para a construção de nossa Capela.


Entre outros serviços prestados, ela também suportou o transporte de tropas para as cidades de S. Paulo e a Corte, nos idos de 1875, quando foi totalmente destruída por uma grande enchente.
Assim sendo, resolveram os administradores da cidade, a construir uma nova ponte, porém rio abaixo, e em lugar que inspirasse melhores condições de segurança. Liderou este movimento o Sr. Joaquim dos Santos, que em virtude do esmorecimento dos companheiros, assumiu toda a responsabilidade e terminou construindo a nossa segunda ponte, feita também de madeira, porém coberta de zinco.
Após a inauguração da mesma; talvez por capricho, o referido senhor, resolveu cobrar pedágem de quem dela necessitasse, e dando expansão ao seu espírito comercial, colocou no meio da ponte uma porteira, em cujas tábuas se Jia. Pedestre – Rs$ 100 (cem reis). Cavaleiro e viatura – Rs$ 200 (duzentos reis).
Considerando ainda, que esta porteira era a divisa entre o nosso município e o município de Paraisópolis, freqüentemente, aconteciam casos em que os valentões da época, quando cometiam crimes da banda de cá; corriam céleres atravessando a referida porteira; passando, conseqüentemente, para o lado de lá, escapando portanto, da polícia que os perseguia. Esta ponte que durou muito tempo, sofreu uma avaria, em conseqüência de uma enchente, assinalada no ano de 1906. Mesmo assim, durou muito tempo após ser restaurada. Mais tarde, quando Governador do Estado, o Dr. Delfim Moreira, muito se preocupou em trazer para a nossa cidade uma ponte metálica, pois assim estaria definitivamente resolvido o nosso problema de pontes. Porém, o saudoso Governador e Presidente, encontrou sérias dificuldades na importação do ferro apropriado. Aconteceu que numa palestra mantida em um café da Rio de Janeiro, o Senador Cupertindo, informou ao Dr. Leopoldo de Luna, da existência de uma ponte abandonada às margem do Rio Casca. Dr. Delfim mandou transportá-la para cá, porém, não chegou a assistir sua inauguração, porque faleceu antes que as obras estivessem concluídas. Contam, que para passar o seu funeral, muitos pranchões tiveram de ser assentados com emergência e em caráter provisório. De 1920 para cá, são relevantes os serviços que esta ponte íem nos proporcionado. Enfrentando as intempéries do tempo e não menos o descuido das autoridades, tem sido ela o magnífico meio de ligação, que há quase meio século vem desafiando as chuvas torrenciais, o caudaloso Sapucaí, na época pluvial e os veículos com pesadas cargas. Quando se vai para a rodovia pode-se ler na placa por ela ostentada: “Capacidade máxima 10 toneladas”. Porém, quando se vem da rodovia para a cidade não tem aviso nenhum. Não me consta que exista porteira no meio da mesma, pois se assim o fosse nós consideraríamos, que a sua resistência parcial, estaria espiritualmente ligada ao mundo dos insensatos.
E por comentar a insensatez, seria também oportuno relembrar a última reforma pela qual ela passou.
Arrancaram-lhe todos os pranchões e deram-lhe urna pintura extraordinária, que por muitos e muitos anos protegerá os tubos, os suportes, os cilindros, as vigas, enfim, toda a sua estrutura metálica, que real¬mente, se tornou mais soberba e expressiva asiora pintada de preto. Mas, depois deste belo trabalho, a nossa querida ponte ficou intransitável por muitos meses causando sérios problemas e prejuízos ao Comércio, à Indústria e à Lavoura; em virtude do não assoalhamento da mesma. Mas, como Deus tarda e não falta, hoje ela já está assoalhada. Porém, o serviço ainda não está completo, pois falta reconstruir as duas passarelas, que em virtude do péssimo estado em que as mesmas se encontram, estão sendo mais comentadas em nossa cidade, que a novela do Antônio Maria em todo o Brasil.
Por esse motivo esperamos que este jornal encontre a autoridade generosa e caritativa, que poderá nos ajudar neste serviço de restauração da referida ponte metálica, que sob os auspícios do Estado foram iniciados, mas que até agora, infelizmente, não foram concluídos.
Amém.
L. E. R.
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