Rio a Mato Grosso via Santa Rita do Sapucaí, há meio século… Rodovia Portela RJ. – Arantina MG.

Editado em 02 de março de 1969    –    Nº  32

O pretexto é haver lido no “Minas Gerais”, (Órgão Oficial Montanhês) de 7-11-68, na seção “Registro Histórico – Noticiário do Minas Gerais” de 17-11-18”, o seguinte – “Na Rede Fluminense da Estrada de Ferro Central do Brasil, foi inaugurado o trecho ferroviário entre as estações de Barbosa Gonçalves e Santa Rita  de Jacutinga, na Rede Sul Mineira.

Natural daquela acidentada região lindeira Minas Estado do Rio, procurei ler na Biblioteca Estadual Luís de Besas (B. Hte.),  aquela edição do órgão oficial de meio século atrás. Em 1918, meu pai, o médico Henrique Portugal, deputado estadual mineiro e Agente Executivo (Prefeito hoje) em Rio Prêto (Sta. Rita de Jacutinga era potente distrito riopretano) e ainda me recordo das vibrantes festas com que a região comemorou o acontecimento, pois Barbosa Gonçalves era última estação fluminense, à beira do curso d’agua divisório, o rio Preto! Pois o “Minas Gerais” de 7-11-1918, pejado de notícia sobre a gripe influenza (era a gripe “espanhola”, que matou no Brasil aproximadamente 350.000 pessoas, mais ou menos o mesmo número da guerra de secção norte-americana de (1860-1865) utilizou um quarto de coluna o título: “Do Rio a Mato Grosso” . em resumo, dizia que o Diretor da EFCB, dr. Aguiar Moreira, dera como inauguração o trecho da Rede Fluminense, compreendido entre Barbosa Gonçalves e Santa Rita de  Jacutinga, na rede Sul Mineira. Por Santa Rita já passava a R.S. Mineira, como o trecho Passa Três-Piraí – Bom Jardim-Soledade, etc.

Com esta ligação – dizia a notícia – ficará estabelecida comunicação de bitola de metro, permitindo ir-se diretamente da Capital Federal ao Pôrto Esperança (Mato Grosso), atravessando os Estados de Minas, São Paulo, atingindo o de Mato Grosso. A ligação facilitará a circulação de material, não somente aos pontos referidos, como aos Estados do Sul da Republica, como o Paraná, Sta. Catarina e Rio  Grande do Sul.

Faz ainda a notícia o cálculo da viagem da viagem do Rio a Pôrto Esperança (barranca do rio Paraguai), com a baldeação em S. Paulo, por diferença de bitola, com 2.510 km. e sem baldeação com 2.601 km. do Rio a Pôrto Esperança (mantidos os  nomes dos locais de 1918) na seguinte especificação quilométrica: Rio a Sta. Rita de Jacutinga (linha Auxiliar da Central até Juparanã e Rede Fluminense Valença – Rio Preto) – 259 km; Santa Rita – Soledade (193) – Sapucaí (260) – Mogi Mirim (50) – Campinas (76) Marienque (77) – Bauru (365) – Itapira (436) – Pôrto Esperança (836).

Essa notícia de meio século (já haveria serviço de relações públicas na EFCB?), agora revivida, contribui para revalorizar o trecho de 195 km. de bitola de metro (estreito) de Governador Portela (RJ) a Arantina (MG), passando por Vassouras, Barão de Vassouras, Juparanã,  Valença, Rio Preto, Santa Rita de Jacutinga, Bom Jardim de Minas, trecho unificador da Não, portanto.

Dentre as razões que justificam os entendimentos da encampação em 1910, pelo Governo Federal (Presidente Nilo Peçanha, Ministro da Viação Francisco Sá, Diretor da EFCB Paulo de Frontin), da EF União Valenciana, estavam as comunicações por uma só bitola com os distantes meridianos patrícios, com vista aos pantanais de Mato Grosso, ou como em 1909 já escrevia meu avô engenheiro Augusto Furtado,  abrir-se o caminho mais curto, por uma só bitola, do Rio ao Planalto Central de Goiás, numa ante-visão do menor trajeto unibitolar Rio-Brasilia.

Nesse rumo caminham sensatamente as altas autoridades dos transportes do País,  em que pesem resistências… Os carros-leitos para Brasília, via Portela-Arantina, darão derivados para o trecho Bom Jardim-Soledade, quiça para o circuito das Àguas do Sul de minas e até mesmo restabelecimento de ouros trechos…

Henrique Furtado Portugal.

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