Sinhá

editado em 21 de setembro de 1969 Nº 059

Ao ver teu retrato, sorrindo, nas paredes deste palco que idealizaste e não pudeste inaugurar, ao ver teu busto altaneiro entre os jardins que tu  plantaste e não viste florescer, não há santarritense que não sinta confranger o coração, não há ser humano que não eleve a Deus uma prece, não há amigo que não dirija ao infinito uma pergunta:

Por que?

Por que tu não pudeste ver florescer os teus jardins?

Por que tu não pudeste paraninfar a 1ª turma de eletrônicos depois de teres empreendido tantos esforços para fundar esta magnífica Escola?

Por que não podes estar entre nós vendo as ruas de tua querida Vista Alegre, pululando de crianças nas festas juninas?

Por que?

Por que não pudeste ver as avenidas de tua cidade asfaltadas e modernamente iluminadas?

Por que não pudeste acompanhar a fundação do INATEL, se teu sonho era ver este nosso rincão transformado em Cidade Universidade?

Por que não pudeste ver mais um Grupo Escolar?

Por que tiveste que abandonar tão cedo as  crianças do Posto de Puericultura e os pobrinhos do Asilo que mereciam todo o teu zêlo?

Por que não pudeste ver os médicos e engenheiros que estimulaste a exercerem suas profissões?

Por que?

Ao pudeste ver as mil normalistas que amparaste encaminhando as crianças  na senda do saber, na Escola que merecem todo o teu carinho e que, hoje ostenta, orgulhosamente, o teu nome?

Não quem amou demais não podia morrer assim tão cedo!

Quem tanto carinho tinha para dispensar à humanidade toda, não podia desaparecer assim tão depressa do nosso convívio.

Resta-nos o consôlo de crer que estás em um mundo melhor onde a ingratidão não habite, onde a guerra não penetre, onde a fome seja desconhecida, onde a dor seja ignorado!

Resta-nos, ainda, o consôlo de crer que teu espírito paire sobre os mortais amigos teus e que tu possas, onde estás velar ainda, como em vida,  ou melhor, se te fôr permitido pelo, tua Santa Rita. Sinhá, a impressão profunda de saudade que tu deixaste na memória de teus conterrâneos e de todos os que contigo convivem, em tua rápida trajetória de luz pela terra é imperecível. O minuto de silêncio que vamos guardar ao pé de teu  busto, atapetado de flores, diz bem claro, que continuas presente em todos os corações, pois não morre de todo quem vive numa saudade.

Sugestão : contato@jornalocorreio.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *