TIRO DE GUERRA 118  –  20 Anos Após

Editado em 12 de janeiro de 1969   Nº 26 (página 3)

Discurso pronunciado pelo Sr. Esio Ribeiro Longuinho, quando da comemoração do recontro, após 20 longos anos, dos reservistas da classe de 48, pelo Tiro de Guerra 118. As festividades foram no “Santa Rita Country Club.” Do atual é Presidente o Sr. Maurice Ricardo Longuinho, um dos integrantes da Turma de 1948.

Iniciando este discurso, primeiramente peço que façamos hum minuto de silêncio, em homenagem póstuma, a todos os nossos colegas, que partiram para a eternidade; incluindo-se entre eles, o nosso saudoso e estimado instrutor Sargento Léo Caldas Renault.

Exmos. Senhor Patronos do Tiro de Guerra 118.

Respectivamente Capitão Paulo Cunha Azevedo para quem peço uma salva de palmas.

Tenente – Anibal Medeiros do Rêgo – Para quem peço outra salva de palmas.

Meus excelentes colegas do passado, amigos do presente e talvez do futuro.

Relembrando a inapagável imagem de  nosso saudoso instrutor, que também, como outros admiráveis amigos e colegas, deixou a vida terrena, para residir na mansão celestial, confesso sentir-me um tanto confuso e condoído, para pronunciar estas palavras especialmente num momento como este,  que, paradoxalmente, muito me alegra, pelo motivo de rever os colegas Atiradores, que comigo, ensarilharam armas nos idos de 1948.

Não se há negar que esta auspicia confraternização veio conseguentemente, concretizar a solidariedade e a abnegação de alguns atiradores; que talvez inspirados pela “Providência Divina, empenharam-se com bom senso, e não menos Espírito Altruísta, para que nós todos pudéssemos comemorar este encontro com a saudade.

Eu, particularmente, me exulto por este feliz acontecimento e agradeço o comparecimento de todos nesta reunião, já tão esperado durante estes longos Vinte Anos.

No entretanto, esta realidade quase inacreditável, e que ora vislumbramos, muitos nos orgulha e muito mais nos fascina, se considerarmos especialmente, a presença do nossos insignes Patronos, que aureolados de explendores fulgurantes de  solidariedade, que lhes é peculiar, aqui também comparecem, sempre nimbados com aquela mesma simpatia, que tanto nos empolgou quando incorporados no Tiro de Guerra118.

Assim sendo, meus amigos, até me parece uma fábula este nosso reencontro. Porém, temos de aceita-lo, porque realmente ele existe, dentro da sistemática energética em que fomos instruídos e educados, e na qual, jamais o sentimentos frio ou ardente, conseguiu deter a nossa marcha durante este longos e impertinentes Vinte Anos; para que então nos encontrássemos nesta tarde memorável, que por muitos e muitos lustros, marcará a felicidade então sentida, principalmente após tantas vitórias e derrotas, que conjugadas com alegrias e sofrimentos na vida, hoje se redunda em reconforto e novas esperanças.

Embora dois decênios tornassem-nos mais velhos, com os cabelos já branquejado e com ligeiros sulcos nas faces modificadas pelo placar do tempo, hoje é, sem dúvida, um dia de júbilo para todos nós; porque podemos retornar aos primórdios de nossa história de soldados, para relembrarmos o fusil Mauser modelo 1908. Para simbolicamente, discursamos, conforme fizemos naquele banquete realizado nos salões da Maçonaria; e também para sentir o perpassar do vento frio, quando naquela marcha noturna, que empreendemos até ao Porto Sapucaí. Estas passagens, são realmente agradáveis recordações.

Mas se por outro lado existe alegria, é evidente que do outro existe a tristeza.

Imbuídos nesta última, podemos verificar, que só nos resta a lembrança de nosso grande amigo e instrutor, sargento Léo Caldas Renualt, cujas honradas qualidades, deixaram uma esteira de luz, que sempre nos guiará na terra.

E não só a ele, mas, também aos nossos saudosos colegas, que por força inexorável do destino, partiram para a eternidade, também o preito de nossas saudades e as honras de nossa vida.

E após essas considerações, para terminar esta preleção, quando exatamente começa um Novo Ano, eu, o Atirador no 16 dos bons tempos, desejo aos senhores e as suas distintas famílias, um 1.969 muito Feliz e Próspero.

E espero que os senhores considerem que estas aspirações lhes são realmente formulados, com toda a sinceridade do meu coração e com toda a integridade de minha alma.

Portanto, marcharemos para 1988!”

L.E.R.

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