Editado em 13 de julho de 1969, da edição 49

As reações espetaculares e sempre imprevisíveis do organismo infantil constituem fenômeno que to­do pediatra se acostumou a observar. Um fenômeno salutar — seja dito de passagem — que explica gran­de número de sucessos rápidos e contribui para transformar, em pouco tempo, a angústia em alívio, a agitação em serenidade. Que permite comprovar, ve­zes sem contar, o desaparecimento pronto de um pro­cesso febril aparentemente grave, logo após as pri­meiras doses do medicamento.

Na opinião respeitável das senhoras entendidas, o remédio “foi um porrete”, pois dominou, de ime­diato, a “infecção”. Ou melhor: o que se presume teria sido uma infecção, mesmo porque a simples presença do sintoma febre não eqüivale a garantir que existisse um processo dessa natureza.

Tais ocorrências são muito comuns. E como não houve necessidade de administrar toda a quantidade contida no frasco, o medicamento tão comprovadamente eficaz — e, muitas vezes, caro, – – passa a en­riquecer o arsenal dos primeiros socorros, não sem antes se haver colocado no rótulo o lembrete inde­fectível: “remédio para febre”.

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